sábado, 28 de abril de 2018

Empreendedorismo à luz da Sociologia do Conhecimento

Sociologia do Conhecimento surge na primeira metade do século XX e, na condição de ramo da sociologia, procura teorizar e avaliar com a isenção e responsabilidade cultural comum aos sociólogos a respeito dos diversos campos do conhecimento, em facetas sociais que não podem escapar a um exame crítico competente.

Problema da Sociologia do Conhecimento

Mannheim, discorrendo acerca do problema de uma sociologia do conhecimento, reforça a popular constatação de que nada pode ser intelectualmente um problema se não tiver sido, antes, um problema da vida prática; cumpre, então, não apenas observar os problemas teóricos de um dado momento, mas levar em conta na mesma medida os problemas simultâneos da vida prática. Tal campo de visão, em resumo, constituirá para o sociólogo suaconstelação de problemas a serem solucionados — termo inicialmente surgido na astrologia e adaptado para a disciplina sociológica.

Necessita-se, segundo o autor, não apenas catalogar as correntes de pensamento existentes e seus rumos, mas de que esta sociologia faça análise estrutural radical dos problemas de uma determinada época, sem deixar de levar em conta as tensões em que o cientista vive e como estas influenciam consciente ou inconscientemente seu pensamento (p. 16).
Ainda esforçando-se na problemática desta disciplina, traz à tona o fato de que, se em tempos idos, os indivíduos transcendiam o pensamento nas revelações religiosas, nos êxtases etc., agora a consciência foca-se na esfera histórica e social, tendo nela a primazia o fator econômico (p. 23).

Assinala enfim outros comentários razoáveis oriundos do olhar sociológico, como o fato de observadores inclinados à posição de pensamento de extrema esquerda ou extrema direita serem incapazes de pensar rotas históricas atravessadas por outros grupos, assumindo a posição implausível de conceber uma história das ideias sem a mais mínima intercomunicação de correntes diversas (p. 29).

Os pontos de vista filosófico-sistemáticos para a elaboração de uma sociologia do conhecimento que são considerados mais importantes por ele são:

a) positivismo— corrente surgida no século XIX, idealizada principalmente por Auguste Comte e John Stuart Mill, que afirma ser o conhecimento científico, comprovado através de métodos válidos, o único verdadeiro;
b) apriorismo formal — linha da pensamento que, sendo uma mediação entre racionalismo e empirismo, também considera a experiência e o pensamento como fontes de conhecimento, todavia também com elementos a priori, ou seja, independentes da experiência;
c) apriorismo material — ponto de vista que é associado à escola fenomenológica, que afirma a importância dos fenômenos da consciência humana e seu estudo;
d) historicismo — corrente que busca a historização de todo pensamento sobre os seres humanos, suas culturas e seus valores, ainda afirmando que o panorama do mundo humano, tal como se apresenta em determinado momento, é sempre produto de processos históricos de formação, que podem ser reconstruídos pelo pensamento humano e tornarem-se inteligíveis.

Breve exposição da Sociologia do Conhecimento de Robert K. Merton

Define inicialmente a palavra “conhecimento” relacionada a uma gama de produtos culturais, como ideias, ideologias, crenças jurídicas e éticas, filosofia, ciência, tecnologia etc. Faz lembrar os precursores da sociologia do conhecimento, como Ernest Gruenwald, seu primeiro historiador, e Whitehead, que mostra o espírito da disciplina ao constatar a diferença considerável entre se aproximar de uma teoria e captar-lhe a aplicação exata, pensamento que a história da ciência tem demonstrado (p. 81-82).

Paradigmas para a Sociologia do Conhecimento

Na primeira pergunta “Onde se situam as bases existenciais dos produtos mentais?“, coloca bases sociais, relativas à posição social, classe, geração, papel ocupacional, modo de produção, estruturas de grupo (universidade, burocracia, academias, seitas, partido político), situação histórica, estrutura de poder etc.

Também para esta pergunta são colocadas bases como valores:Ethos — termo que designa conjunto de traços e modos de comportamento que constituem o caráter ou identidade de uma pessoa ou coletividade[2] e que, no contexto sociológico, pode resumir-se como de síntese da identidade de um povo —, “clima de opinião”,Volksgeist — o espírito do povo, uma espécie de consciência popular que, segundo a Escola Histórica, seria anterior e superior ao Estado[3] —,Zeitgeist — termo que se refere ao clima intelectual e cultural de dada época, vem do alemão Zeit ‘tempo’ + Geist ‘espírito’[4] —, o tipo de cultura que, assim como valores, também é uma das constituintes etc.

A segunda pergunta que coloca é “Quais são os produtos mentais submetidos à análise sociológica?“, à qual sugere esferas de pensamento como crenças morais, ideologias, ideias, categorias de pensamento, filosofia e crenças religiosas, normas sociais etc., e aspectos analisados como sua seleção (focos de atenção), nível de abstração, pressupostos, conteúdos conceptuais etc.

A terceira pergunta do paradigma é “Como se acham os produtos mentais relacionados às bases existenciais?“, para a qual postula relações causais ou funcionais como determinação, causa, correspondência, condição necessária, interdependência funcional etc; relações simbólicas, expressivas ou orgânicas como consistência, harmonia, coerência, unidade, congruência, compatibilidade, expressão, percepção, expressão simbólica, identidades estruturais etc; termos ambíguos para designar as relações: correspondência, reflexos, ligados a, em estreita conexão com etc.

A quarta pergunta: “Por quê? Funções latentes e manifestas atribuídas a estes produtos mentais existencialmente condicionados“, à qual nomeia como atribuições manutenção de poder, promoção de estabilidade, facilitação de orientação ou exploração, ocultação de relações sociais efetivas, fornecimento de motivações, canalização de comportamentos etc.

Por fim, a quinta e última pergunta: “Quando se evidenciam as relações atribuídas entre a base social e o conhecimento?“, à qual coloca teorias historicistas, limitadas a sociedades ou culturas específicas e teorias analíticas.

Em que sentido poderia o empreendedor, sendo estudante de administração, economia, áreas afins, avançar nessa dimensão da sociologia, de modo a comprender-lhe os paradigmas?

Pode-se refletir de várias formas a respeito desta questão. Talvez de modo a compreender que seu empreendimento, qualquer que seja o tipo de atuação, não poderá negligenciar um exame crítico de prisma sociológico. Por conseguinte, não escapa também a ele entender e fazer a análise estrutural dos problemas do momento em que vive, tal como postula Mannheim, em especial aqueles que se manifestarão nos ambientes externo e interno da organização em que atua, principalmente o primeiro, que tende sempre a ser menos controlável do que compreensível. Poderá conscientizar-se melhor como cientista, atuante teórico e prático, que entende que todas as tensões de seu momento histórico, todas as crises políticas e sociais do ambiente externo terão reflexos no meio imediato em que trabalha, de forma que será um agente solucionador dos problemas práticos que lhe aparecem simultaneamente, no momento em que levanta questões teóricas e orienta-se intelectualmente.

Todas as cinco questões colocadas no paradigma por Merton são, nesse sentido, de inestimável valia, posto que reconhece-se facilmente que as bases sociais e culturais como posição social, modo de produção, estruturas de grupo, estrutura de poder, valores, ethos etc., devem ser constante e criticamente examinadas pelo empreendedor.

Desnecessário dizer que os pontos de vista filosóficos-sistemáticos mencionados por Mannheim têm grande relevância em diversos âmbitos do conhecimento na atualidade, publica-se e debate-se abundantemente a respeito deles, e que a aproximação do empreendedor dessas correntes, conforme suas possibilidades, é indispensável para que possa compreender a gama de produtos culturais — ideias, possíveis ideologias, crenças éticas, a filosofia, tecnologia etc. — de sua própria área atuação que carrega em sua Missão, Visão e Vaores.

O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade.

— Karl Mannheim

Referências:

  1. MANNHEIM, Karl; MILLS, Charles Wright; MERTON, Robert K. Sociologia do conhecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1967. 143p.
  2. Diccionario de la lengua española: ethos. Real Academia Española. Acesso: abr/2018.
  3. MALTEZ, Jose Adelino. Repertório Português de Ciência Política. Edição electrônica, 2004. Acesso: abr/2018.
  4. Learner’s Dictionares: zeitgeist. Oxford. Acesso: abr/2018.

Notas sobre Sociologia do Conhecimento em um olhar empreendedor

Esta disciplina surge na primeira metade do século XX e, sendo um ramo da sociologia, procura teorizar e avaliar com a isenção e responsabilidade cultural comum aos sociólogos a respeito dos diversos campos do conhecimento, em facetas sociais que não podem escapar a um exame crítico competente.

Problema da Sociologia do Conhecimento

Mannheim, discorrendo acerca do problema de uma sociologia do conhecimento, reforça a popular constatação de que nada pode ser intelectualmente um problema se não tiver sido, antes, um problema da vida prática; cumpre, então, não apenas observar os problemas teóricos de um dado momento, mas levar em conta na mesma medida os problemas simultâneos da vida prática. Tal campo de visão, em resumo, constituirá para o sociólogo sua constelação de problemas a serem solucionados — termo inicialmente surgido na astrologia e adaptado para a disciplina sociológica.
Necessita-se, segundo o autor, não apenas catalogar as correntes de pensamento existentes e seus rumos, mas de que esta sociologia faça análise estrutural radical dos problemas de uma determinada época, sem deixar de levar em conta as tensões em que o cientista vive e como estas influenciam consciente ou inconscientemente seu pensamento (p. 16).
Ainda esforçando-se na problemática desta disciplina, traz à tona o fato de que, se em tempos idos, os indivíduos transcendiam o pensamento nas revelações religiosas, nos êxtases etc., agora a consciência foca-se na esfera histórica e social, tendo nela a primazia o fator econômico (p. 23).
Assinala enfim outros comentários razoáveis oriundos do olhar sociológico, como o fato de observadores inclinados à posição de pensamento de extrema esquerda ou extrema direita serem incapazes de pensar rotas históricas atravessadas por outros grupos, assumindo a posição implausível de conceber uma história das ideias sem a mais mínima intercomunicação de correntes diversas (p. 29).

Os pontos de vista filosófico-sistemáticos para a elaboração de uma sociologia do conhecimento que são considerados mais importantes por ele são:
a) positivismo — corrente surgida no século XIX, idealizada principalmente por Auguste Comte e John Stuart Mill, que afirma ser o conhecimento científico, comprovado através de métodos válidos, o único verdadeiro; b) apriorismo formal — linha da pensamento que, sendo uma mediação entre racionalismo e empirismo, também considera a experiência e o pensamento como fontes de conhecimento, todavia também com elementos a priori, ou seja, independentes da experiência; c) apriorismo material — ponto de vista que é associado à escola fenomenológica, que afirma a importância dos fenômenos da consciência humana e seu estudo; d) historicismo — corrente que busca a historização de todo pensamento sobre os seres humanos, suas culturas e seus valores, ainda afirmando que o panorama do mundo humano, tal como se apresenta em determinado momento, é sempre produto de processos históricos de formação, que podem ser reconstruídos pelo pensamento humano e tornarem-se inteligíveis.

Breve exposição da Sociologia do Conhecimento de Robert K. Merton

Define inicialmente a palavra "conhecimento" relacionada a uma gama de produtos culturais, como ideias, ideologias, crenças jurídicas e éticas, filosofia, ciência, tecnologia etc. Faz lembrar os precursores da sociologia do conhecimento, como Ernest Gruenwald, seu primeiro historiador, e Whitehead, que mostra o espírito da disciplina ao constatar a diferença considerável entre se aproximar de uma teoria e captar-lhe a aplicação exata, pensamento que a história da ciência tem demonstrado (p. 81-82).

Paradigmas para a Sociologia do Conhecimento

Na pergunta "Onde se situam as bases existenciais dos produtos mentais?", coloca bases sociais, relativas à posição social, classe, geração, papel ocupacional, modo de produção, estruturas de grupo (universidade, burocracia, academias, seitas, partido político), situação histórica, estrutura de poder etc. Também para esta pergunta são colocadas bases culturais como valores, ethos (termo que designa conjunto de traços e modos de comportamento que constituem o caráter ou identidade de uma pessoa ou coletividade[2] e que, no contexto sociológico, pode resumir-se como de síntese da identidade de um povo), "clima de opinião", Volksgeist (o espírito do povo, uma espécie de consciência popular que, segundo a Escola Histórica, seria anterior e superior ao Estado[3]), Zeitgeist (termo que se refere ao clima intelectual e cultural de dada época, vem do alemão Zeit ‘tempo’ + Geist ‘espírito’[4]), tipo de cultura etc.

A segunda pergunta que coloca é "Quais são os produtos mentais submetidos à análise sociológica?", à qual coloca esferas de pensamento como crenças morais, ideologias, ideias, categorias de pensamento, filosofia e crenças religiosas, normas sociais etc., e aspectos analisados como sua seleção (focos de atenção), nível de abstração, pressupostos, conteúdos conceptuais etc.

A terceira pergunta do paradigma é "Como se acham os produtos mentais relacionados às bases existenciais?", para a qual postula relações causais ou funcionais como determinação, causa, correspondência, condição necessária, interdependência funcional etc; relações simbólicas, expressivas ou orgânicas como consistência, harmonia, coerência, unidade, congruência, compatibilidade, expressão, percepção, expressão simbólica, identidades estruturais etc; termos ambíguos para designar as relações: correspondência, reflexos, ligados a, em estreita conexão com etc.

A quarta pergunta: "Por quê? Funções latentes e manifestas atribuídas a estes produtos mentais existencialmente condicionados", à qual nomeia como atribuições manutenção de poder, promoção de estabilidade, facilitação de orientação ou exploração, ocultação de relações sociais efetivas, fornecimento de motivações, canalização de comportamentos etc.

Por fim, a quinta e última pergunta: "Quando se evidenciam as relações atribuídas entre a base social e o conhecimento?", à qual coloca teorias historicistas, limitadas a sociedades ou culturas específicas e teorias analíticas.

Em que sentido poderia o empreendedor, sendo estudante de administração, economia, áreas afins, avançar nessa dimensão da sociologia, de modo a comprender-lhe os paradigmas?

Pode-se refletir de várias formas a respeito desta questão. Talvez de modo a compreender que seu empreendimento, qualquer que seja o tipo de atuação, não poderá negligenciar um exame crítico de prisma sociológico. Por conseguinte, não escapa também a ele entender e fazer a análise estrutural dos problemas do momento em que vive, tal como postula Mannheim, em especial aqueles que se manifestarão nos ambientes externo e interno da organização em que atua, principalmente o primeiro, que tende sempre a ser menos controlável do que compreensível. Poderá conscientizar-se melhor como cientista, atuante teórico e prático, que entende que todas as tensões de seu momento histórico, todas as crises políticas e sociais do ambiente externo terão reflexos no meio imediato em que trabalha, de forma que será um agente solucionador dos problemas práticos que lhe aparecem simultaneamente no momento em que levanta questões teóricas e orienta-se intelectualmente.
Todas as cinco questões colocadas no paradigma por Merton são, nesse sentido, de inestimável valia, posto que reconhece-se facilmente que as bases sociais e culturais como posição social, modo de produção, estruturas de grupo, estrutura de poder, valores, ethos etc., devem ser constante e criticamente examinadas pelo empreendedor. Desnecessário dizer que os pontos de vista filosóficos-sistemáticos mencionados por Mannheim têm grande relevância em diversos âmbitos do conhecimento na atualidade, publica-se e debate-se abundantemente a respeito deles, e que a aproximação do empreendedor dessas correntes, conforme suas possibilidades, é indispensável para se compreender a gama de produtos culturais, ou seja, as ideias, as ideologias, as crenças éticas, a filosofia, a tecnologia etc., de sua própria área atuação.

Referências:
  1. MANNHEIM, Karl; MILLS, Charles Wright; MERTON, Robert K. Sociologia do conhecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1967. 143p.
  2. Diccionario de la lengua española: ethos. Real Academia Española. Acesso: abr/2018.
  3. MALTEZ, Jose Adelino. Repertório Português de Ciência Política. Edição electrônica, 2004. Acesso: abr/2018.
  4. Learner's Dictionares: zeitgeist. Oxford. Acesso: abr/2018.

sábado, 21 de abril de 2018

Ubuntu e suas aplicações como fatores de competitividade para o Microempreendedor Individual

O Brasil é um país que hoje ultrapassa o número de 9,5 milhões de empresas de todos os setores e portes, dentre as quais mais de 6,5 milhões são MEIs – Microempreendedores Individuais[1]. Malgrado o fato de todos os empreendedores, MEIs ou não, enfrentarem todas as dificuldades conhecidas do País como altos impostos acompanhados de um precário retorno do governo na qualidade dos serviços públicos, fatores de grande influência no encerramento de atividades de muitas empresas, há quem nesse cenário consiga identificar oportunidades e aproveitar criativamente as facilidades de ser MEI, chegando inclusive a se tornar egresso de programas sociais do governo, cujos benefícios não são perdidos automaticamente quando a pessoa se formaliza como MEI, mas somente se for comprovado aumento da renda familiar acima do limite dos benefícios[2].

De fato, alguns dados a respeito do MEI são otimistas. Lançado oficialmente o novo Portal do Empreendedor no dia 05 de outubro de 2009[3], alcançou, em apenas quatro anos, 3.452.649 optantes (dados do dia 05.10.2013), vindos de todos os estados[4], número que na presente data, fevereiro de 2018, praticamente dobrou. Tal panorama relativamente otimista pode ser explicado por uma reduzida carga tributária (47,70 por mês + taxa de R$5,00 para Prestadores de Serviço ou R$1,00 para Comércio e Indústria[5]), acesso a crédito fácil e barato oferecido por bancos públicos, além de benefícios assegurados como auxílio-doença, licença-maternidade, aposentadoria e a chance de legar pensão para familiares.

Nessas condições não faltaram casos de sucesso, como o da artesã acreana Rodney Paiva Ramos que, tendo frequentado cursos para capacitação em artesanato e se tornado MEI em 2012, chegou a receber um selo de excelência da Unesco com o seu trabalho “Cores da Mata”[6]; ou Ineide Pereira da Costa, de Teresina-PI, que inovou com seu empreendimento Mídia & Eventos, atuando nas áreas de fotografia, filmagem, sonorização e afins. Tendo sido babá e faxineira, passou a atuar com tecnologia, após uma experiência como responsável por eventos de uma faculdade. Dos segmentos em que atua, tem se destacado na Fotografia. Ganhou dois prêmios Sebrae Mulher de Negócios, uma vez em 2012 e outra em 2016[7].

Em tal cenário positivo, o artigo apresenta a notável distribuição Linux Ubuntu e suas aplicações como fatores de competitividade para MEIs, seja o negócio aparentemente pouco dependente da tecnologia da informação, como o da artesã Rodney, seja em setores altamente dependentes de um sistema e ferramentas de escritório robustas, como Mídia & Eventos, de Ineide. As razões pelas quais essas ferramentas são sempre bem vindas serão vistas abaixo.

1. Linux Ubuntu 

Lançado em outubro de 2004, é consagrado pela comunidade do software livre como um dos sistemas Linux de maior acessibilidade, sendo notável a facilidade de uso que qualquer pessoa pode experimentar, independente de sua nacionalidade, nível de conhecimento ou limitações físicas. Daí o nome Ubuntu, que significa “sou o que sou pelo o que nós somos”.

Linux Ubuntu

Como se pode notar, uma pessoa habituada a usar Windows 7, 8 ou mesmo o 10 não terá tantas dificuldades em usar o desktop, navegar por diretórios diversos e organizar suas pastas. A única dificuldade que o iniciante pode encontrar é instalar certos aplicativos via linha de comando (terminal). Porém, o sistema conta com a Ubuntu Software, onde há inúmeros aplicativos prontos para serem baixados e instalados sem a necessidade do terminal.

2. Libre Office

Lançado em 2010, acompanha diversas distribuições Linux. É sem dúvida um grande susbtituto do Microsoft Office, do qual o empreendedor seguramente pode fazer uso em seu negócio. Possui algumas desvantagens como, por exemplo, ser mais rudimentar do que as versões modernas do Office no que concerne ao design de tabelas e gráficos diversos, e mesmo no quesito formatação. Um acadêmico que trabalha com artigos baseados em normas ABNT provavelmente fará a formatação com mais dificuldade no Libre Office, que todavia não é de todo impossível. A conversão de um documento rico em formatação de odt para doc (e vice-versa) também geralmente causa algumas incompatibilidades. Ainda sim, dada a gratuidade, é uma excelente alternativa.

3. Planner

Para garantir fatores como racionalidade e previsibilidade nas decisões, bem como uma atitude empreendedora que não perca de vista a importância de ser eficiente e eficaz, dois conceitos que, segundo o consenso das discussões administrativas atuais, tratam respectivamente da ideia de atingir excelência no processo e da excelência no cumprimento dos fins da organização, é indispensável tornar-se consciente da suma importância da Gestão de Projetos. E o Planner é para o Ubuntu o que o Project é para o Microsoft Office, se bem que, assim como no caso do Libre Office, um pouco mais limitado, principalmente no que diz respeito à usabilidade e intuitividade que a ferramenta proporciona. Ainda assim, o empreendedor pode elaborar suas tarefas e projetos de maneira bastante satisfatória. Simplesmente essencial.

4. Kdenlive

Kdenlive software

A ampla gama de recursos de manipulação de áudio e, principalmente, de vídeo, colocam o aplicativo em um patamar superior a um editor de vídeo básico do Windows como o Movie Maker, sendo o Kdenlive um editor intermediário. Se ele pode satisfatoriamente atender até a necessidade básica de um profissional de cinema que queira fazer um curta-metragem ou de um publicitário que queira fazer um vídeo, quanto mais a de um empreendedor MEI, que, com esse aplicativo, poderá as mais das vezes, com o possível auxílio de um colaborador, editar vídeos simples de maneira profissional para divulgar nas redes sociais seu produto ou serviço. É uma tarefa não precisa ser terceirizada e que, com um pouco de treinamento, pode caber a um colaborador operacional da empresa.

5. GIMP

GIMP

Criado em 1996, esse software livre consagrou-se como uma competitiva alternativa ao Adobe Photoshop, sendo suas principais funções a criação e a edição de imagens. Secundariamente, é software de desenho vetorial básico. É perfeitamente possível que um empreendedor MEI o utilize para criar seu logo para sua empresa, sem precisar arcar com custos da terceirização do serviço. Inicialmente, poderá se deparar com suas vagas noções a respeito de design e pesquisar imagens de símbolos e ícones para elaborar seu logo. Mas deve-se atentar ao fato de que muitas dessas imagens possuem direitos autorais, de modo que devem servir apenas de inspiração para a criação do logo, sendo descartadas assim que o empreendedor tenha criado seu próprio ícone e símbolo. O autor insiste que o empreendedor incipiente pode ser capaz, com algumas horas de uso, de ter uma ideia razoável de logo e o encoraja a criá-lo após ter elaborado um plano de negócios de um estúdio musical como parte do cumprimento da grade do curso de Gestão Empresarial da Faculdade de Tecnologia de São Carlos, onde pôde concluir em seus estudos que o GIMP, bem como o anteriormente mencionado Kdenlive e outros aplicativos livres constituem grandes oportunidades de produtividade e redução de custos.

6. OpenBravo

Captura de tela do site oficial da empresa

Lançado em 2001, é um ERP Open Source (código aberto) que oferece a possibilidade do empreendedor, por conta, customizá-lo gratuitamente ou terceirizando o serviço. Há ainda a opção de adquirir os próprios planos da empresa Open Bravo S.L. Um plano profissional básico, para cinco usuários, custa U$D 873 dólares (cerca de R$2800). Talvez não seja o ERP mais acessível para o empreendedor de pequenos e médios negócios, e menos ainda esse plano básico se adequa às necessidades de um MEI, mas ele é digno de nota por existir a opção de customizá-lo gratuitamente ou terceirizando o serviço, procurando um profissional que faça a implementação a um preço justo e acessível.

Comparação de preços – softwares livres/pagos

Softwares
Preço
Software
Preço
Ubuntu
Windows 10 Pro
R$809,99[8]
Libre Office
Office 2016 Pro
R$1699,00[9]
Planner
(Project incluso no Office)
Kdenlive
Adobe Premiere Pro
R$852,00*[10]
GIMP
Adobe Photoshop
R$852,00*
Custo Total
R$4212,99


Considerações finais

Deve-se ter em evidência que, podendo o empreendedor MEI ter um rendimento de até 80 mil por ano, a alternativa de software pago, no valor R$4212,99, possui um custo razoável para o MEI iniciante. Ainda é digno de nota que os softwares Adobe, marcados com asterisco (*), são pagos anualmente, então seria um custo inicial de R$4212,99 + R$1704 (custo fixo) ao ano.

É um valor que pode fazer falta para suprir as pequenas dificuldades diárias do empreendimento. O empreendedor, é claro, pode estudar a alternativa de software pago e chegar à conclusão de que ela é mais viável através de inúmeros argumentos como, por exemplo, o fato de que os colaboradores sentem-se mais à vontade em usar, ou serem treinados para usar, os softwares tradicionais do mercado.

Ressalte-se todavia que o empreendedor que domine os softwares tradicionais pagos não teria a menor dificuldade em treinar os colaboradores para o usar os softwares livres, tendo como material de apoio suas respectivas documentações. Ainda mais importante do que isso, é que o encorajamento do uso progressivo de software livre constitui, para o empreendedor e para os colaboradores, uma grande fonte de possibilidades de expansão de habilidades e conhecimentos.

Referências:

  1. Estatísticas. Portal do Empreendedor — MEI. Acesso em: abr/18.
  2. Situações que permitem a formalização como MEI, com ressalvas. Portal do Empreendedor — MEI. Acesso em: abr/18.
  3. Sobre o Portal. Portal do Empreendedor – MEI. Acesso em: abr/18.
  4. Ver o mesmo link do item 1.
  5. Dúvidas Frequentes. Portal do Empreendedor — MEI. Acesso em: abr/18.
  6. Brava gente — Rodney, a premiada senhora dos balangandãs. 08 de agosto de 2012; atualizado em 01 de novembro de 2016. Notícias do Acre. Acesso em: abr/18.
  7. Quem somos. Mídia & Eventos. Acesso em: abr/18.
  8. Comprar Windows 10 Pro. Microsoft Store pt-BR. Acesso em: abr/18.
  9. Microsoft Office Professional 2016 – Todos os Aplicativos em 1 PC. Microsoft Stor pt-BR. Acesso em: abr/18.
  10. Preços e planos de associação à Creative Cloud. Adobe Creative Cloud. Acesso em: abr/18.

Ubuntu e suas aplicações como fatores de competitividade para MEI

O Brasil é um país que hoje ultrapassa o número de 9,5 milhões de empresas de todos os setores e portes, dentre as quais mais de 6,5 milhões são MEIs - Microempreendedores Individuais[1]. Malgrado o fato de todos os empreendedores, MEIs ou não, enfrentarem todas as dificuldades conhecidas do País como altos impostos acompanhados de um precário retorno do governo na qualidade dos serviços públicos, fatores de grande influência no encerramento de atividades de muitas empresas, há quem nesse cenário consiga identificar oportunidades e aproveitar criativamente as facilidades de ser MEI, chegando inclusive a se tornar egresso de programas sociais do governo, cujos benefícios não são perdidos automaticamente quando a pessoa se formaliza como MEI, mas somente se for comprovado aumento da renda familiar acima do limite dos benefícios[2].

De fato, alguns dados a respeito do MEI são otimistas. Lançado oficialmente o novo Portal do Empreendedor no dia 05 de outubro de 2009[3], alcançou, em apenas quatro anos, 3.452.649 optantes (dados do dia 05.10.2013), vindos de todos os estados[4], número que na presente data, fevereiro de 2018, praticamente dobrou. Tal panorama relativamente otimista pode ser explicado por uma reduzida carga tributária (47,70 por mês + taxa de R$5,00 para Prestadores de Serviço ou R$1,00 para Comércio e Indústria[5]), acesso a crédito fácil e barato oferecido por bancos públicos, além de benefícios assegurados como auxílio-doença, licença-maternidade, aposentadoria e a chance de legar pensão para familiares.

Nessas condições não faltaram casos de sucesso, como o da artesã acreana Rodney Paiva Ramos que, tendo frequentado cursos para capacitação em artesanato e se tornado MEI em 2012, chegou a receber um selo de excelência da Unesco com o seu trabalho "Cores da Mata"[6]; ou Ineide Pereira da Costa, de Teresina-PI, que inovou com seu empreendimento Mídia & Eventos, atuando nas áreas de fotografia, filmagem, sonorização e afins. Tendo sido babá e faxineira, venceu a natural resistência de trabalhar com tecnologia, após uma experiência como responsável por eventos de uma faculdade. Dos segmentos em que atua, tem se destacado na Fotografia. Ganhou dois prêmios Sebrae Mulher de Negócios, uma vez em 2012 e outra em 2016[7].

Em tal cenário positivo, o artigo apresenta a notável distribuição Linux Ubuntu e suas aplicações como fatores de competitividade para MEIs, seja o negócio aparentemente pouco dependente da tecnologia da informação, como o da artesã Rodney, seja em setores altamente dependentes de um sistema e ferramentas de escritório robustas, como Mídia & Eventos, de Ineide. As razões pelas quais essas ferramentas são sempre bem vindas serão vistas abaixo.

1. Linux Ubuntu 

Lançado em outubro de 2004, é consagrado pela comunidade do software livre como um dos sistemas Linux de maior acessibilidade, sendo notável a facilidade de uso que qualquer pessoa pode experimentar, independente de sua nacionalidade, nível de conhecimento ou limitações físicas. Daí o nome Ubuntu, que significa "sou o que sou pelo o que nós somos".


Como se pode notar, uma pessoa habituada a usar Windows 7, 8 ou mesmo o 10 não terá tantas dificuldades em usar o desktop, navegar por diretórios diversos e organizar suas pastas. A única dificuldade que o iniciante pode encontrar é instalar certos aplicativos via linha de comando (terminal). Porém, o sistema conta com a Ubuntu Software, onde há inúmeros aplicativos prontos para serem baixados e instalados sem a necessidade do terminal.

2. Libre Office



Lançado em 2010, acompanha diversas distribuições Linux. É sem dúvida um grande susbtituto do Microsoft Office, do qual o empreendedor seguramente pode fazer uso em seu negócio. Possui algumas desvantagens como, por exemplo, ser mais rudimentar do que as versões modernas do Office no que concerne ao design de tabelas e gráficos diversos, e mesmo no quesito formatação. Um acadêmico que trabalha com artigos baseados em normas ABNT provavelmente fará a formatação com mais dificuldade no Libre Office, que todavia não é de todo impossível. A conversão de um documento rico em formatação de odt para doc (e vice-versa) também geralmente causa algumas incompatibilidades. Ainda sim, dada a gratuidade, é uma excelente alternativa.

3. Planner


Para garantir fatores como racionalidade e previsibilidade nas decisões, bem como uma atitude empreendedora que não perca de vista a importância de ser eficiente e eficaz, dois conceitos que, segundo o consenso das discussões administrativas atuais, tratam respectivamente da ideia de atingir excelência no processo e da excelência no cumprimento dos fins da organização, é indispensável tornar-se consciente da suma importância da Gestão de Projetos. E o Planner é para o Ubuntu o que o Project é para o Microsoft Office, se bem que, assim como no caso do Libre Office, um pouco mais limitado, principalmente no que diz respeito à usabilidade e intuitividade que a ferramenta proporciona. Ainda assim, o empreendedor pode elaborar suas tarefas e projetos de maneira bastante satisfatória. Simplesmente essencial.

4. Kdenlive


 
A ampla gama de recursos de manipulação de áudio e, principalmente, de vídeo, colocam o aplicativo em um patamar superior a um editor de vídeo básico do Windows como o Movie Maker, sendo o Kdenlive um editor intermediário. Se ele pode satisfatoriamente atender até a necessidade básica de um profissional de cinema que queira fazer um curta-metragem ou de um publicitário que queira fazer um vídeo, quanto mais a de um empreendedor MEI, que, com esse aplicativo, poderá as mais das vezes, com o possível auxílio de um colaborador, editar vídeos simples de maneira profissional para divulgar nas redes sociais seu produto ou serviço. É uma tarefa não precisa ser terceirizada e que, com um pouco de treinamento, pode caber a um colaborador operacional da empresa.

5. GIMP



Criado em 1996, esse software livre consagrou-se como uma competitiva alternativa ao Adobe Photoshop, sendo suas principais funções a criação e a edição de imagens. Secundariamente, é software de desenho vetorial básico. É perfeitamente possível que um empreendedor MEI o utilize para criar seu logo para sua empresa, sem precisar arcar com custos da terceirização do serviço. Inicialmente, poderá se deparar com suas vagas noções a respeito de design e pesquisar imagens de símbolos e ícones para elaborar seu logo. Mas deve-se atentar ao fato de que muitas dessas imagens possuem direitos autorais, de modo que devem servir apenas de inspiração para a criação do logo, sendo descartadas assim que o empreendedor tenha criado seu próprio ícone e símbolo. O autor insiste que o empreendedor incipiente pode ser capaz, com algumas horas de uso, de ter uma ideia razoável de logo e o encoraja a criá-lo após ter elaborado um plano de negócios de um estúdio musical como parte do cumprimento da grade do curso de Gestão Empresarial da Faculdade de Tecnologia de São Carlos, onde pôde concluir em seus estudos que o GIMP, bem como o anteriormente mencionado Kdenlive e outros aplicativos livres constituem grandes oportunidades de produtividade e redução de custos.

6. OpenBravo

Captura de tela do site oficial da empresa

Lançado em 2001, é um ERP Open Source (código aberto) que oferece a possibilidade do empreendedor, por conta, customizá-lo gratuitamente ou terceirizando o serviço. Há ainda a opção de adquirir os próprios planos da empresa Open Bravo S.L. Um plano profissional básico, para cinco usuários, custa U$D 873 dólares (cerca de R$2800). Talvez não seja o ERP mais acessível para o empreendedor de pequenos e médios negócios, e menos ainda esse plano básico se adequa às necessidades de um MEI, mas ele é digno de nota por existir a opção de customizá-lo gratuitamente ou terceirizando o serviço, procurando um profissional que faça a implementação a um preço justo e acessível.

Comparação de preços - softwares livres/pagos

Software
Preço
Software
Preço
Ubuntu
-
Windows 10 Pro
R$809,99[8]
Libre Office
-
Office 2016 Pro
R$1699,00[9]
Planner
-
(Project incluso no Office)
-
Kdenlive
-
Adobe Premiere Pro
R$852,00*[10]
GIMP
-
Adobe Photoshop
R$852,00*




Custo Total
-

R$4212,99

Considerações finais

Deve-se ter em evidência que, podendo o empreendedor MEI ter um rendimento de até 80 mil por ano, a alternativa de software pago, no valor R$4212,99, possui um custo razoável para o MEI iniciante. Ainda é digno de nota que os softwares Adobe, marcados com asterisco (*), são pagos anualmente, então seria um custo inicial de R$4212,99 + R$1704 (custo fixo) ao ano.

É um valor que pode fazer falta para suprir as pequenas dificuldades diárias do empreendimento. O empreendedor, é claro, pode estudar a alternativa de software pago e chegar à conclusão de que ela é mais viável através de inúmeros argumentos como, por exemplo, o fato de que os colaboradores sentem-se mais à vontade em usar, ou serem treinados para usar, os softwares tradicionais do mercado.

Ressalte-se todavia que o empreendedor que domine os softwares tradicionais pagos não teria a menor dificuldade em treinar os colaboradores para o usar os softwares livres, tendo como material de apoio suas respectivas documentações. Ainda mais importante do que isso, é que o encorajamento do uso progressivo de software livre constitui, para o empreendedor e para os colaboradores, uma grande fonte de possibilidades de expansão de habilidades e conhecimentos.

Referências:


  1. Estatísticas. Portal do Empreendedor — MEI. Acesso em: abr/18.
  2. Situações que permitem a formalização como MEI, com ressalvas. Portal do Empreendedor — MEI. Acesso em: abr/18.
  3. Sobre o Portal. Portal do Empreendedor - MEI. Acesso em: abr/18.
  4. Dúvidas Frequentes. Portal do Empreendedor — MEI. Acesso em: abr/18.
  5. Brava gente — Rodney, a premiada senhora dos balangandãs. 08 de agosto de 2012; atualizado em 01 de novembro de 2016. Notícias do Acre. Acesso em: abr/18.
  6. Quem somos. Mídia & Eventos. Acesso em: abr/18.
  7. Comprar Windows 10 Pro. Microsoft Store pt-BR. Acesso em: abr/18.
  8. Microsoft Office Professional 2016 - Todos os Aplicativos em 1 PC. Microsoft Stor pt-BR. Acesso em: abr/18.
  9. Preços e planos de associação à Creative Cloud. Adobe Creative Cloud. Acesso em: abr/18.

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