terça-feira, 29 de maio de 2018

O projeto World Community Grid e as pesquisas relativas à AIDS e ao câncer

imagem retirada de http://www.ibm.com

Lançado em 16 de novembro de 2004, o projeto World Community Grid, da IBM, é um esforço em criar, através da computação distribuída, um supercomputador capaz de auxiliar o progresso de pesquisas de diversos campos da ciência, em especial a área da medicina, na qual se verifica importantes projetos concluídos e outros ainda em andamento.

Pesquisa relativa à AIDS

Há em andamento para auxiliar as pesquisas relativas à doença o projeto FightAIDS@Home, lançado em 19 de novembro de 2005. É o segundo projeto geral do World Community Grid e o primeiro a dizer respeito à pesquisa de uma doença em particular. Ainda encontra-se ativo. Neste projeto, cada computador processa uma molécula e testa como ela se comporta em relação às moléculas do vírus HIV. [1]
O instituto Scripps Research divulgou seu primeiro paper científico revisado por pares a respeito do FightAIDS@Home em 21 de abril de 2007, cujos resultados servem à melhoria da eficiência dos cálculos envolvidos no projeto.[2]

Pesquisa relativa ao câncer

Atualmente há ativos para auxiliar as pesquisas relativas a essa doenças os projetos Mapping Cancer with Markers e Smash Childhood Cancer.
O primeiro tem por objetivo identificar possíveis indicadores associados a diversos tipos de câncer e tem analisado milhões de dados relativos a amostra de tecidos de pele de milhares de pacientes saudáveis e doentes; através da comparação dos dados, os pesquisadores procuram identificar padrões de diferentes cânceres e correlacioná-los com outros diferentes resultados, incluindo a receptividade que os pacientes têm tido a diversas opções de tratamento. Esse conhecimento na prática pode ajudar a melhorar os diversos tipos de tratamentos e personalizá-los, de acordo com o perfil de genético de cada paciente, além de acelerar o processo de identificação dos indícios de câncer. O projeto tem como foco primeiramente o câncer de pulmão e depois o câncer ovariano, o de próstata e o sarcoma. [3]
Já o segundo projeto, Smash Childhood Cancer, visa testar novos tipos de drogas para o tratamento do câncer infantil, através de experimentos virtuais que ocorrem nos computadores ou dispositivos androids dos colaboradores do projeto. Esses experimentos ajudam a identificar qual a droga que melhor pode controlar moléculas encontradas em células cancerosas. Um projeto que tem suma importância em um contexto no qual o órgão americano US Food and Drug Administration aprovou, nos últimos 20 anos, apenas um número reduzido de novas drogas para serem usadas nos tratamentos. As pesquisas relativas a novas drogas devem prosseguir, e por fazerem parte de um processo caro e desafiador, a computação distribuída do World Community Grid tem feito parte da solução para o progresso das pesquisas.[4]

Projetos concluídos e resultados científicos

Deve-se considerar que os projetos são considerados concluídos formalmente, já que possuem uma data de início e uma data de finalização, mas há sempre novidades e descobertas recentes de cientistas que estão ligadas aos projetos.

  • Help Fight Childhood Cancer: a missão do projeto é encontrar drogas que sejam capazes de desativar três proteínas em particular associadas ao neuroblastoma, um dos mais frequentes tumores sólidos nos infantes.[5]
  • Help Defeat Cancer: o projeto visa melhorar a habilidade dos profissionais da medicina de determinar as melhores opções de tratamentos para pacientes com canceres localizados na cabeça ou no pescoço. Houve no projeto o trabalho de identificar padrões visuais em um grande número de microconjuntos de tecido retirados de amostras de tecidos de pacientes. Estes microconjuntos de tecidos são uma ferramenta investigativa, de modo que, através dessa análise, é possível aos pesquisadores determinar o tipo específico e o estágio do câncer existente, além de investigar sistematicamente quais terapias ou combinação de tratamentos podem ser mais efetivas para cada tipo de câncer, tendo como base resultados já existentes de pacientes.[6]

Resultados científicos:

  • Em fevereiro de 2010, os cientistas dos projeto FightAIDS@Home anunciaram que descobriram dois componentes que fazem potencialmente uma nova classe de drogas possíveis para combater a AIDS. Elas melhorariam os tratamentos existentes, além de desacelerar o processo de resistência à droga do vírus.[7]
  • Em fevereiro de 2014, os cientistas ligados ao projeto Help Fight Childhood Cancer anunciaram a descoberta de sete componentes que destroem células do câncer neuroblastoma sem nenhum efeito colateral aparente[8]. Uma descoberta feita com a colaboração dos voluntários do World Community Grid; verificar tais benefícios efetivos para os tratamentos torna-se um motivo a mais para encorajar qualquer pessoa a doar o processamento de seu computador para o projeto.

Como colaborar com World Community Grid:

Acesse o site http://worldcommunitygrid.org/ e registre-se. Após o registro, haverá para usuários de Windows e Android opções para download do programa. Para os usuários de Linux, tanto Red Hat e outras distribuições baseadas no Fedora como Ubuntu e outras baseadas no Debian, há instruções detalhadas de como instalar o programa via terminal. A vantagem evidente de colaborar com o projeto é que ele traz benefícios concretos para a ciência e não afeta em absolutamente nada o desempenho do computador ou smartphone android, já que o programa apenas faz uso da capacidade ociosa do processamento.

Referências:

  1. “FightAIDS@Home” Research. World Community Grid. Acesso em: mai/2018
  2. “Analysis of HIV Wild-Type and Mutant Structures via in Silico Docking against Diverse Ligand Libraries”. American Chemical Society. Acesso em: mai/2018
  3. Mapping Cancer with Markers: project overview. World Community Grid. Acesso em: mai/2018.
  4. Smash Childhood Cancer: project overview (em inglês). World Community Grid. Acesso em: mai/2018
  5. Help Fight Childhood Cancer: project overview (em inglês). World Community Grid. Acesso em: mai/2018
  6. Help Defeat Cancer: project overview (em inglês). Help Defeat Cancer Project – Dr. David Foran, principal investigator. Acesso em: mai/2018
  7. ONO, Mika. TSRI – News & Views. Scientist Finds Two Compounds that Lay the Foundation for a New Class of AIDS Drug (em inglês). Scripps.edu. Acesso em: mai/2018
  8. Breakthrough in the fight against childhood cancer, 20 de fevereiro de 2014 (em inglês). World Community Grid. Acesso em: mai/2018

O projeto World Community Grid e as pesquisas relativas à AIDS e ao câncer

imagem retirada de http://www.ibm.com

Lançado em 16 de novembro de 2004, o projeto World Community Grid, da IBM, é um esforço em criar, através da computação distribuída, um supercomputador capaz de auxiliar o progresso de pesquisas de diversos campos da ciência, em especial a área da medicina, na qual se verifica importantes projetos concluídos e outros ainda em andamento.

Pesquisa relativa à AIDS

Há em andamento para auxiliar as pesquisas relativas à doença o projeto FightAIDS@Home, lançado em 19 de novembro de 2005. É o segundo projeto geral do World Community Grid e o primeiro a dizer respeito à pesquisa de uma doença em particular. Ainda encontra-se ativo. Neste projeto, cada computador processa uma molécula e testa como ela se comporta em relação às moléculas do vírus HIV. [1]
O instituto Scripps Research divulgou seu primeiro paper científico revisado por pares a respeito do FightAIDS@Home em 21 de abril de 2007, cujos resultados servem à melhoria da eficiência dos cálculos envolvidos no projeto.[2]

Pesquisa relativa ao câncer

Atualmente há ativos para auxiliar as pesquisas relativas a essa doenças os projetos Mapping Cancer with Markers e Smash Childhood Cancer.
O primeiro tem por objetivo identificar possíveis indicadores associados a diversos tipos de câncer e tem analisado milhões de dados relativos a amostra de tecidos de pele de milhares de pacientes saudáveis e doentes; através da comparação dos dados, os pesquisadores procuram identificar padrões de diferentes cânceres e correlacioná-los com outros diferentes resultados, incluindo a receptividade que os pacientes têm tido a diversas opções de tratamento. Esse conhecimento na prática pode ajudar a melhorar os diversos tipos de tratamentos e personalizá-los, de acordo com o perfil de genético de cada paciente, além de acelerar o processo de identificação dos indícios de câncer. O projeto tem como foco primeiramente o câncer de pulmão e depois o câncer ovariano, o de próstata e o sarcoma. [3]
Já o segundo projeto, Smash Childhood Cancer, visa testar novos tipos de drogas para o tratamento do câncer infantil, através de experimentos virtuais que ocorrem nos computadores ou dispositivos androids dos colaboradores do projeto. Esses experimentos ajudam a identificar qual a droga que melhor pode controlar moléculas encontradas em células cancerosas. Um projeto que tem suma importância em um contexto no qual o órgão americano US Food and Drug Administration aprovou, nos últimos 20 anos, apenas um número reduzido de novas drogas para serem usadas nos tratamentos. As pesquisas relativas a novas drogas devem prosseguir, e por fazerem parte de um processo caro e desafiador, a computação distribuída do World Community Grid tem feito parte da solução para o progresso das pesquisas.[4]

Projetos concluídos e resultados científicos

Deve-se considerar que os projetos são considerados concluídos formalmente, já que possuem uma data de início e uma data de finalização, mas há sempre novidades e descobertas recentes de cientistas que estão ligadas aos projetos.

  • Help Fight Childhood Cancer: a missão do projeto é encontrar drogas que sejam capazes de desativar três proteínas em particular associadas ao neuroblastoma, um dos mais frequentes tumores sólidos nos infantes.[5]
  • Help Defeat Cancer: o projeto visa melhorar a habilidade dos profissionais da medicina de determinar as melhores opções de tratamentos para pacientes com canceres localizados na cabeça ou no pescoço. Houve no projeto o trabalho de identificar padrões visuais em um grande número de microconjuntos de tecido retirados de amostras de tecidos de pacientes. Estes microconjuntos de tecidos são uma ferramenta investigativa, de modo que, através dessa análise, é possível aos pesquisadores determinar o tipo específico e o estágio do câncer existente, além de investigar sistematicamente quais terapias ou combinação de tratamentos podem ser mais efetivas para cada tipo de câncer, tendo como base resultados já existentes de pacientes.[6]

Resultados científicos:

  • Em fevereiro de 2010, os cientistas dos projeto FightAIDS@Home anunciaram que descobriram dois componentes que fazem potencialmente uma nova classe de drogas possíveis para combater a AIDS. Elas melhorariam os tratamentos existentes, além de desacelerar o processo de resistência à droga do vírus.[7]
  • Em fevereiro de 2014, os cientistas ligados ao projeto Help Fight Childhood Cancer anunciaram a descoberta de sete componentes que destroem células do câncer neuroblastoma sem nenhum efeito colateral aparente[8]. Uma descoberta feita com a colaboração dos voluntários do World Community Grid; verificar tais benefícios efetivos para os tratamentos torna-se um motivo a mais para encorajar qualquer pessoa a doar o processamento de seu computador para o projeto.


Como colaborar com World Community Grid:

Acesse o site http://worldcommunitygrid.org/ e registre-se. Após o registro, haverá para usuários de Windows e Android opções para download do programa. Para os usuários de Linux, tanto Red Hat e outras distribuições baseadas no Fedora como Ubuntu e outras baseadas no Debian, há instruções detalhadas de como instalar o programa via terminal. A vantagem evidente de colaborar com o projeto é que ele traz benefícios concretos para a ciência e não afeta em absolutamente nada o desempenho do computador ou smartphone android, já que o programa apenas faz uso da capacidade ociosa do processamento.

Referências:

  1. "FightAIDS@Home" Research. World Community Grid. Acesso em: mai/2018
  2. "Analysis of HIV Wild-Type and Mutant Structures via in Silico Docking against Diverse Ligand Libraries". American Chemical Society. Acesso em: mai/2018
  3. Mapping Cancer with Markers: project overview. World Community Grid. Acesso em: mai/2018.
  4. Smash Childhood Cancer: project overview (em inglês). World Community Grid. Acesso em: mai/2018
  5. Help Fight Childhood Cancer: project overview (em inglês). World Community Grid. Acesso em: mai/2018
  6. Help Defeat Cancer: project overview (em inglês). Help Defeat Cancer Project - Dr. David Foran, principal investigator. Acesso em: mai/2018
  7. ONO, Mika. TSRI - News & Views. Scientist Finds Two Compounds that Lay the Foundation for a New Class of AIDS Drug (em inglês). Scripps.edu. Acesso em: mai/2018
  8. Breakthrough in the fight against childhood cancer, 20 de fevereiro de 2014 (em inglês). World Community Grid. Acesso em: mai/2018

sexta-feira, 11 de maio de 2018

A importância do fator da informação em ambientes virtuais da atualidade

O trabalho relativamente novo (2013) do consagrado geógrafo Milton Santos traz consistentes reflexões sobre o processo da globalização, tratando do modo como ela tem sido produzida, da perversidade que envolve a tirania da informação e do dinheiro, que resulta em competitividade desprovida de compaixão, em consumo aliado a seu despotismo e na confusão dos espíritos, dentre outros termos empregados pelo autor com precisão cirúrgica, como não poderia ser diferente, já que discursou com autoridade e desprezou o cumprimento de certas obrigações acadêmicas rituais ou, em suas palavras, dispensou o “cerimonial de referências”.

Não obstante, em meio a suas críticas ferozes aos atores sociais que a produzem na perversidade, apresenta uma possibilidade efetiva de construção de um outro mundo, através de uma globalização humanizada, pois argumenta que no cenário atual há bases materiais como a unicidade da técnica, a convergência dos momentos (o conhecimento do “outro” que, em ambientes virtuais, verifica-se principalmente nas redes sociais) e o conhecimento do planeta. No plano empírico, sustenta o autor, há fatos indicativos da emergência de uma nova história: observa-se enorme mistura de povos, raças, culturas e gostos em todos os continentes; e, graças aos progressos da informação, tem-se uma maior gama de filosofias, não mais estando o racionalismo europeu no centro.
Todavia, observados esses fatos e ainda encontrando-se a humanidade em um período técnico-científico tal que é possível produzir materiais em laboratório como verdadeiros frutos da inteligência humana, capaz de conceber com precisão os materiais antes de sua elaboração, a dupla tirania supramencionada do dinheiro e da informação continuam demasiado poderosas, criando enganos como a “aldeia global“, a aparente ideia de que a sociedade está razoavelmente informada e um novo ethos, ou seja, um novo conjunto de costumes fortemente influenciado pela competitividade, sugerida pela produção e pelo consumo em seus aspectos negativos, o que torna-se fonte de novos totalitarismos.

Pode-se perguntar: qual o verdadeiro peso desses fatores? O que se dizer precisamente sobre o fator da informação? Há realmente possibilidade de totalitarismos vindos de atores sociais que detêm enorme poder?

Para não estender aquilo que não se propõe a ser uma exposição cabal a respeito do assunto, mas antes um breve estudo que suscita reflexões e perguntas, pode-se verificar quão sérias são suas preocupações relativas à informação no contexto da iminente web 4.0, por exemplo — caracterizada pelo escritor e orador de negócios americano Seth Godin em 2007 como um ambiente que envolve um cliente de e-mail inteligente a respeito do que o usuário e sua rede de colegas fazem, o uso daquilo que se conhece hoje como smartphone, um processador de textos que relaciona o que o usuário escreve ao que consta na web de informações a respeito e redes que eliminem o anonimato onde quer que se esteja[2] —, no qual não faltam casos de gigantes das redes sociais que exercem tal tirania descrita pelo geógrafo, a ponto de muitas vezes a própria crítica especializada corrente ser incapaz de acompanhar e descrever. Esta, as mais das vezes, limita-se apenas a relatar o aumento das funcionalidades, ano após ano, que concorrem para uma realíssima interatividade que aparenta tornar as pessoas cada vez mais próximas através de tecnologias novas, mas pouco aprofunda-se em demonstrar como a utilização de informações dos usuários para gerar publicidade vem sendo prática usual das redes sociais de maneira pouco transparente, o que tem sido objeto de estudo apenas de reduzido número de pesquisadores sobre segurança on-line, como se vê na matéria da Ana Luiza Tieghi para a revista Espaço Aberto[3].

Santos explica que um dado essencial a respeito do consumo é que a produção do consumidor, hoje, precede à produção dos bens e serviços; vê-se que esta explicação é exata quando se examina as práticas invasivas das gigantes redes sociais, para não citar as empresas menores que espelham-se nas redes sociais quanto a forma de conhecer os hábitos dos consumidores; posto isto, invevitavelmente percebe-se que o fator da informação, além do dinheiro que quase sempre relaciona-se a ele, exige uma perspectiva supraempreendedora ao estudioso mais sério dos caminhos do empreendedorismo, vez que nem sempre encontra em seu campo tais preocupações que não faltam a um cientista social ou a pesquisadores da tecnologia com sérias preocupações éticas. Vale então nesse cenário, aos dispostos ao exame mais grave, mais conhecimento, reflexões e questionamentos sobre como as informações têm sido usadas nas empresas, pequenas ou grandes, a fim de tornar claro se elas têm servido à construção de um outro mundo em que se vê humanização ou apenas a um aumento de competitividade através da produção de consumidores de forma demasiadamente antiética.

Referências:

1. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 23. ed. Rio de Janeiro: Record, 2013. 174 p. ISBN 978-85-01-05878-2.

2. GODIN, Seth. Web 4. Seth’s Blog, 19 de janeiro de 2007. Disponível em: <http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2007/01/web4.html>. Acesso em: mai/18.

3. TIEGHI, Ana Luiza. Existe privacidade no mundo virtual?. Revista Espaço Aberto USP, edição 159 – abril 2014 – ano XIII. Disponível em: <http://www.usp.br/espacoaberto/?materia=existe-privacidade-no-mundo-virtual-2>. Acesso em: mai/18.

A importância do fator da informação em ambientes virtuais atuais

O trabalho relativamente novo (2013) do consagrado geógrafo Milton Santos traz consistentes reflexões sobre o processo da globalização, tratando do modo como ela tem sido produzida, da perversidade que envolve a tirania da informação e do dinheiro, que resulta em competitividade desprovida de compaixão, em consumo aliado a seu despotismo e na confusão dos espíritos, dentre outros termos empregados pelo autor com precisão cirúrgica, como não poderia ser diferente, já que discursou com autoridade e desprezou o cumprimento de certas obrigações acadêmicas rituais ou, em suas palavras, dispensou o "cerimonial de referências".

Não obstante, em meio a suas críticas ferozes aos atores sociais que a produzem na perversidade, apresenta uma possibilidade efetiva de construção de um outro mundo, através de uma globalização humanizada, pois argumenta que no cenário atual há bases materiais como a unicidade da técnica, a convergência dos momentos (o conhecimento do "outro" que, em ambientes virtuais, verifica-se principalmente nas redes sociais) e o conhecimento do planeta. No plano empírico, sustenta o autor, há fatos indicativos da emergência de uma nova história: observa-se enorme mistura de povos, raças, culturas e gostos em todos os continentes; e, graças aos progressos da informação, tem-se uma maior gama de filosofias, não mais estando o racionalismo europeu no centro.
Todavia, observados esses fatos e ainda encontrando-se a humanidade em um período técnico-científico tal que é possível produzir materiais em laboratório como verdadeiros frutos da inteligência humana, capaz de conceber com precisão os materiais antes de sua elaboração, a dupla tirania supramencionada do dinheiro e da informação continuam demasiado poderosas, criando enganos como a "aldeia global", a aparente ideia de que a sociedade está razoavelmente informada e um novo ethos, ou seja, um novo conjunto de costumes fortemente influenciado pela competitividade, sugerida pela produção e pelo consumo em seus aspectos negativos, o que torna-se fonte de novos totalitarismos.

Pode-se perguntar: qual o verdadeiro peso desses fatores? O que se dizer precisamente sobre o fator da informação? Há realmente possibilidade de totalitarismos vindos de atores sociais que detêm enorme poder?

Para não estender aquilo que não se propõe a ser uma exposição cabal a respeito do assunto, mas antes um breve estudo que suscita reflexões e perguntas, pode-se verificar quão sérias são suas preocupações relativas à informação no contexto da iminente web 4.0, por exemplo — caracterizada pelo escritor e orador de negócios americano Seth Godin em 2007 como um ambiente que envolve um cliente de e-mail inteligente a respeito do que o usuário e sua rede de colegas fazem, o uso daquilo que se conhece hoje como smartphone, um processador de textos que relaciona o que o usuário escreve ao que consta na web de informações a respeito e redes que eliminem o anonimato onde quer que se esteja[2] —, no qual não faltam casos de gigantes das redes sociais que exercem tal tirania descrita pelo geógrafo, a ponto de muitas vezes a própria crítica especializada corrente ser incapaz de acompanhar e descrever. Esta, as mais das vezes, limita-se apenas a relatar o aumento das funcionalidades, ano após ano, que concorrem para uma realíssima interatividade que aparenta tornar as pessoas cada vez mais próximas através de tecnologias novas, mas pouco aprofunda-se em demonstrar como a utilização de informações dos usuários para gerar publicidade vem sendo prática usual das redes sociais de maneira pouco transparente, o que tem sido objeto de estudo apenas de reduzido número de pesquisadores sobre segurança on-line, como se vê na matéria da Ana Luiza Tieghi para a revista Espaço Aberto[3].

Santos explica que um dado essencial a respeito do consumo é que a produção do consumidor, hoje, precede à produção dos bens e serviços; vê-se que esta explicação é exata quando se examina as práticas invasivas das gigantes redes sociais, para não citar as empresas menores que espelham-se nas redes sociais quanto a forma de conhecer os hábitos dos consumidores; posto isto, invevitavelmente percebe-se que o fator da informação, além do dinheiro que quase sempre relaciona-se a ele, exige uma perspectiva supraempreendedora ao estudioso mais sério dos caminhos do empreendedorismo, vez que nem sempre encontra em seu campo tais preocupações que não faltam a um cientista social ou a pesquisadores da tecnologia com sérias preocupações éticas. Vale então nesse cenário, aos dispostos ao exame mais grave, mais conhecimento, reflexões e questionamentos sobre como as informações têm sido usadas nas empresas, pequenas ou grandes, a fim de tornar claro se elas têm servido à construção de um outro mundo em que se vê humanização ou apenas a um aumento de competitividade através da produção de consumidores de forma demasiadamente antiética.


Referências:

1. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 23. ed. Rio de Janeiro: Record, 2013. 174 p. ISBN 978-85-01-05878-2.

2. GODIN, Seth. Web 4. Seth's Blog, 19 de janeiro de 2007. Disponível em: <http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2007/01/web4.html>. Acesso em: mai/18.

3. TIEGHI, Ana Luiza. Existe privacidade no mundo virtual?. Revista Espaço Aberto USP, edição 159 - abril 2014 - ano XIII. Disponível em: <http://www.usp.br/espacoaberto/?materia=existe-privacidade-no-mundo-virtual-2>. Acesso em: mai/18.

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